Powered By:
Android Advice

Construção do viveiro de mudas na comunidade Serra do Sol

Um viveiro de mudas foi construído na comunidade Serra do Sol no contexto do Projeto Ekurauyama através de parceria entre o Conselho do Povo Ingarikó- COPING, Embaixada da Noruega, Instituto Insikiran –UFRR/Programa de extensão Wazaka´ye e Instituto Socioambiental- ISA. A proposta do COPING tem como objetivo de incentivar nos próximos anos o reflorestamento de espécies nativas e ampliar segurança alimentar na região Ingarikó. Essa iniciativa vai de encontro a políticas de valorização da agrobiodiversidade que lideranças Ingarikó já vêm realizando há alguns anos, por exemplo, feiras de sementes e o projeto do centro de agroecologia Nutrir.

O trabalho de construção do viveiro foi acompanhado pelo professor Luís Felipe Almeida e os estudantes Glênio e Amilton Barbosa Andrade, do curso de Gestão Territorial Indígena. Contamos com o apoio da doutoranda do PPGAS do Museu Nacional da UFRJ, Maria Virgínia Ramos Amaral, que realiza pesquisa na região Ingarikó e como forma de retorno, organizou a logística, e doação de mudas para a comunidade Serra do Sol.

O projeto do Viveiro de mudas foi apresentado para a comunidade, alunos da escola e Tuxauas e ressaltada a importância do viveiro de mudas como uma importante ferramenta pedagógica para desenvolvimento de atividades/projetos relacionadas a agricultura e pecuária. Foram realizadas quatro reuniões com a apresentação de vídeos e palestras sobre produção de mudas, compostagem, tipos de viveiros e práticas de plantio, Sistemas agroflorestais e adubação orgânica.

O viveiro foi construído com apoio de toda a comunidade e coberto com tela sombreadora e arame em área plana de 16m x 24m e tem capacidade de pelo menos 20.000 mudas a cada 6 meses. No local escolhido existe abundância de água e estrume para adubação das mudas. Professores e alunos da escola serão os responsáveis pela condução do viveiro e pela distribuição das mudas, que deverão atender a região Ingarikó pelos próximos anos.
100

100

Estudantes de Gestão Territorial Indígena realizam plantio agroflorestal na UFRR

A etapa das aulas presenciais 2017.2 do curso de Gestão Territorial Indígena da UFRR chegou ao fim. Durante esse semestre mais uma turma de estudantes ingressou no quinto semestre do curso, quando os estudantes escolhem uma dentre as quatro “ênfases” do curso: Agroecologia (Atividades Produtivas e Manejo Ambiental), Patrimônio Indígena, Serviços e Infraestrutura, ou Empreendimentos Sociais.

Um grupo de 15 estudantes optou pela ênfase em agroecologia, e já iniciaram as aulas nos temas contextuais específicos, quando a agroecologia foi trabalhada na teoria e na prática. As práticas agrícolas indígenas já utilizam princípios sustentáveis, e a experimentação de outras técnicas agroecológicas pode otimizar esses princípios e adequá-los às demandas específicas das comunidades, promovendo qualidade de vida, soberania alimentar, geração de renda e maior equilíbrio ambiental.

Um dos assuntos mais trabalhados nas aulas teóricas e práticas foi o plantio em forma de agrofloresta, aplicando-se os princípios da sucessão vegetal, ciclagem de nutrientes do solo e adubação verde. Nas práticas os estudantes se dividiram em grupos e implantaram agroflorestas com “canteiros de produção” e “canteiros de biomassa”, que receberam grande diversidade de mudas e sementes de espécies florestais e agrícolas.

Estudantes da turma do quinto semestre e professores de Agroecologia do curso de Gestão Territorial Indígena/Insikiran/UFRR

Trabalho em agroecologia do Insikiran é apresentado no X Congresso Brasileiro de Agroecologia

Entre os dias 12 e 15 de setembro, a cidade de Brasília sediou o X Congresso Brasileiro de Agroecologia, concomitante ao VI Congresso Latino-americano de Agroecologia e ao V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno.

O Congresso Latino-americano de Agroecologia é organizado a cada dois anos pela Sociedade Científica Latina Americana de Agroecologia (SOCLA). Estes congressos explicitam o estado da arte da agroecologia tanto na América Latina como Ibero-América. SOCLA reúne acadêmicos, técnicos, estudantes e agricultores organizados, proporcionando o diálogo e gerando acordos que se difundem através da Carta Agroecológica ao final de cada evento. O Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é o maior evento de agroecologia em número de participantes e trabalhos técnico-científicos. É promovido pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). Reúne todos os setores da sociedade brasileira que atuam e desenvolvem a agroecologia no país como pesquisadores acadêmicos e populares; extensionistas; gestores de políticas públicas das três esferas; agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e suas organizações; movimentos sociais, ONGs, redes e fóruns de agroecologia, entre outros. Promove uma ampla discussão, com troca de experiências, apresentação de trabalhos científicos e encaminhamentos que contribuem para os direcionamentos estratégicos destes setores.

O evento contou com ampla programação envolvendo palestras, oficinas, feira de produtos agroecológicos, feira de troca de sementes, exposição de filmes e muito mais. Essa edição contou com aproximadamente 5.000 pessoas de todas as regiões do Brasil e também de muitos outros países. O Instituto Insikiran foi representado por dois professores da área de Agroecologia que apresentaram o trabalho: “O desenho do agroecossistema com uso do Google Earth como ferramenta de ensino no Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena – Universidade Federal de Roraima, Brasil”.

Roda de conversa após apresentação de trabalho no congresso

Lançamento da cartilha “Viveiros de mudas” nas comunidades Aningal e Vida Nova

No dia 28 de julho de 2017 foi realizado o lançamento da cartilha “Viveiro de mudas” na comunidade Aningal. A cartilha foi produzida pelas comunidades Aningal e Vida Nova, na Terra Indígena Aningal, como um dos resultados da construção coletiva do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) para a Terra Indígena Aningal, que se localiza no município de Amajari, Roraima. O Plano prevê, dentre outras atividades sustentáveis, a implantação de viveiros de mudas para plantios e geração de renda.

Alguns dos autores da cartilha “Viveiros de mudas” durante o lançamento

Nesse sentido, o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) disponibilizou recursos financeiros para investir em projetos sustentáveis em comunidades vizinhas das unidades de conservação apoiadas pelo Programa. Em Roraima, a Estação Ecológica de Maracá e quatro comunidades do entorno, embasadas em seus PGTAs, foram contempladas com o financiamento de R$ 190.000 do Programa ARPA para apoiar projetos sustentáveis durante dois anos, em parceria com o Conselho Indígena de Roraima – CIR e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA. Nas comunidades Aningal e Vida Nova as atividades desenvolvidas foram a implantação de viveiros de mudas e capacitações.

A comunidade Aningal já tinha experiência prévia com viveiro de mudas e plantios na parceria com a Iniciativa Wazaka’ye – IW, e esse projeto possibilitou a construção de um novo viveiro, maior e com sistema de irrigação. Já a comunidade Vida Nova inicia essa experiência.

Experiência de plantio de espécies madeireiras em roças e capoeiras da comunidade Aningal

A cartilha foi produzida ao final do projeto, por estudantes, professores e demais membros das comunidades. Cada comunidade selecionou os temas que seriam abordados na cartilha, incluindo não só os viveiros de mudas, mas também outras atividades importantes para a gestão territorial e ambiental, como o histórico das comunidades, o reconhecimento e valorização da diversidade local (levantamento e uso de plantas presentes nas comunidades, e a descrição de ações sustentáveis em andamento). Dentre essas ações, se destaca o plantio de espécies madeireiras em roças e capoeiras na comunidade Aningal, e também a definição de uma área comunitária de conservação e manejo na comunidade Vida Nova.

O plantio de espécies madeireiras na comunidade Aningal iniciou em 2013, e hoje essas áreas são capoeiras e as árvores plantadas atingem mais de 5 metros de altura e já produzem sementes. Os agricultores relatam que é importante “zelar” pelas árvores plantadas, retirando de cipós de tempos em tempos, e roçando o mato em volta da árvores.

Já na comunidade Vida Nova escolheu uma área para conservação e manejo, onde ficou combinado que ninguém vai derrubar para botar roça nem tirar madeira, e a caça será apenas pequena. A área escolhida pela comunidade foi a “Ilha da Samaúma” porque ali ainda existem algumas árvores de madeira de lei. Essas árvores podem ser as matrizes onde será feita coleta de sementes.

Experiência da definição de uma área comunitária de conservação em ilha de mata na comunidade Vida Nova.

Para acessar a versão digital da cartilha “Viveiro de mudas” CLIQUE AQUI.

IV Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima

 

A quarta edição da Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima aconteceu entre os dias 15 e 17 de setembro na comunidade Barro, no CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e  Cultura Raposa Serra do Sol. Foram dias de discussão, encontros, e trocas entre os agricultores, professores e estudantes de 6 regiões de Roraima: Serras (comunidades Maturuca e Uiramutan), Surumu (com. São Miguel da Cachoeira e Barro), Wai Wai (Makará e Cobra), Baixo Cotingo (Serrinha), Serra da Lua (Pium e Novo Paraíso), São Marcos (Novo Destino) e Tabaio (Raimundão).

Também houve a presença de indígenas de outros estados e países, como os Pemon da comunidade Kavanayén da Venezuela e os Sateré Mawé do estado do Amazonas, além de convidados do setor de extensão do INPA de Manaus.

Diversidade de saberes tradicionais e técnicos

 

Na noite do dia 14 grande parte dos participantes já havia chegado, e após a janta houve uma recepção e apresentação das comunidades presentes. A abertura oficial aconteceu na manhã do dia 15, com defumação do Maruai pela pajé Mariana. Em seguida as instituições se apresentaram, e após isso foi composta uma mesa muito especial, com a presença de agricultores e agricultoras de todas as comunidades presentes, que puderam compartilhar seus conhecimentos e percepções sobre as sementes e variedades tradicionais. Na parte da tarde foi a vez da discussão sobre legislação e experiências, com a fala das instituições convidadas ISA, CONAB, INPA-Manaus e CIR. A noite desse primeiro dia encerrou com apresentações de trajes típicos e um bingo.

 

O dia 16 iniciou com várias oficinas e os participantes escolheram entre as opções: medicina tradicional, grafismo indígena, arte indígena, trança de darruana, compostagem; mitos, contos e rezas, e enxertia. Todas as oficinas foram conduzidas por indígenas, exceto a oficina de enxertia que foi ministrada pelo professor Luis Felipe do Instituto Insikiran/UFRR.

Oficinas em variados temas

Na parte da tarde houve o momento mais esperado, que foi a exposição e troca de sementes e variedades tradicionais. As comunidades levaram uma grande diversidade de plantas, e também de produtos. Durante toda a tarde houve trocas que certamente contribuirão para aumentar a diversidade nas comunidades, e garantir a multiplicação das variedades tradicionais! A comunidade Maturuca levou um total de 116 variedades de plantas, e foi premiada com uma câmera fotográfica, assim como as comunidades São Miguel da Cachoeira e Pium.

Diversidade, saberes, cultura, tradição e trocas

À noite iniciou com o resgate da memória do ocorrido no CIFCRSS há exatos 11 anos atrás, em 17 de setembro de 2005, quando um

incêndio criminoso destruiu parte da escola numa tentativa de intimidação por parte dos que eram contra a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. As marcas do incêndio ainda permanecem, mas não foram capazes de conter a força do movimento indígena que hoje em sua terra homologada vêm celebrar e fortalecer seus conhecimentos, sua produção e a grande diversidade de suas sementes. O momento seguinte foi de celebração, com apresentações artísticas de todas as regiões, com destaque para a apresentação de teatro do CIFCRSS sobre “A origem das sementes tradicionais”. A noite encerrou com um forrozinho tradicional que não podia faltar!

Na manhã seguinte os indígenas visitantes da Venezuela e Amazonas fizeram uma apresentação sobre suas experiências.

Participantes indígenas Sateré-Mawé (Amazonas) e Pemon (Venezuela)

No momento seguinte foram entregues materiais didáticos aos participantes, através de uma contribuição de várias publicações cedidas pelo ISA – Instituto Socioambiental. Também foi lançada e distribuída a cartilha “Origem das sementes tradicionais”, produzida pelos estudantes do CIFCRSS (disponível em http://wazakaye.com.br/wp-content/uploads/2013/03/CARTILHA_Origem-das-sementes-tradicionais_CIFCRSS_digital.pdf).

O encerramento se deu com um belo parichara!

Apresentação de teatro do CIFCRSS (à direita) e fechamento com Parichara (à esquerda)

As feiras de sementes dos povos indígenas de Roraima são uma realização do Conselho Indígena de Roraima – CIR em parceria com o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Iniciativa Wazaka’ye, com apoio da Funai, ISA, UFRR, sendo essa edição patrocinada pelo Programa de Pequenos Projetos Ecossociais e Terra dos Homens.

Curso de sementes tradicionais antecede a IV Feira de Sementes no CIFCRSS

Os estudantes do primeiro ano do CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol participaram do curso de sementes tradicionais realizado em parceria com o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia entre os dias 5 e 9 de setembro, uma semana antes do início da IV Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima. Foram apresentados e discutidos assuntos sobre propagação vegetal, formação de frutos e sementes, ecologia de sementes, coleta e manejo de sementes, sementes transgênicas, dentre outros temas visando fortalecer o conhecimento, a conservação e a multiplicação das sementes tradicionais. Esse curso é financiado pelo PPP-Ecos e será finalizado ainda esse mês, com o fechamento do conteúdo teórico e conclusão dos trabalhos práticos.

Observando as sementes

 

PARA ACESSAR O REGULAMENTO E PROGRAMAÇÃO, CLIQUE AQUI.

Regulamento e Programação da IV Feira de Sementes, Clique Abaixo:

IV FEIRA SEMENTES – PROGRAMACAO E REGULAMENTO.

Fechamento do curso de agrofloresta no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS)

Aulas práticas de implantação de agrofloresta no CIFCRSS

Em 2016 mais uma vez vem se desenvolvendo no CIFCRSS o curso de agroflorestas com a assessora agroflorestal Jessica Pedreira. As quatro turmas do CIFCRSS, totalizando cerca de 40 estudantes, aprofundaram seus conhecimentos nas aulas sobre ciclagem de nutrientes, estudos de consórcios, sucessão natural, adubação verde, matéria orgânica, estratos da vegetação, e principalmente nas aulas práticas. No setor da agrofloresta foram instalados novos canteiros com milho, banana, macaxeira, abobrinha, feijão, bacaba, dentre outras plantas, que após um mês já começam a dar seus primeiros frutos, com destaque para a grande produção de abobrinha!

Os estudantes estão realizando o manejo e acompanhamento das plantas e da produção através de atividades em aulas práticas.

O curso aconteceu no período de outubro de 2015 a julho de 2016 em três módulos, com apoio do Programa de Pequenos Projetos Ecosociais/ISPN.

Estudando os cartazes produzidos

Curso de agrofloresta na Raposa Serra do Sol

Curso de agroflorestas no CIFCRSS

No mês de outubro o CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol recebeu a engenheira florestal Jessica Livio, da Simbiose Agroflorestal, para iniciar o curso de Agroflorestas com a turma do primeiro ano.

Jessica já é conhecida do CIFCRSS desde 2012, quando a IW – Iniciativa Wazaka’ye iniciou a parceria com o CIFCRSS para realização da primeira Feira de Sementes. Desde então, além do apoio na realização das feiras, a IW vem realizando cursos nos temas de sementes tradicionais e sistemas agroflorestais.

Esse ano a etapa inicial do curso se iniciou em dezembro e irá continuar ao longo do ano de 2016. Foram passados os conteúdos teóricos iniciais, e a prática ainda não foi realizada porque o setor de agroflorestas do CIFCRSS está temporariamente interditado, até que se realizem os ajustes necessários na irrigação e cercagem da área.