Artigos

Plantios agroflorestais no Centro de Produção Anna Uyesurukon, comunidade Maturuca

Diversidade e alegria não faltaram no “curso de plantios agroflorestais” na comunidade Maturuca, TI Raposa Serra do Sol, dias 5 a 7 de maio de 2018. No Centro de Produção Anna Uyesurukon (“Do nosso jeito”) foram plantadas cerca de 100 árvores madeireiras e fruteiras e também muita diversidade de sementes regionais como milhos, feijões, cana, batata, pimenta etc. Produção agroflorestal no lavrado! Muito obrigada aos estudantes de Gestão Territorial Indígena do Insikiran/UFRR que contribuíram com a produção dessas mudas no viveiro do Insikiran!

Veja as fotos em nossa página no facebook:  https://www.facebook.com/wazakaye/posts/2111434199093419?notif_id=1526094621898311&notif_t=page_post_reaction&ref=notif

Estudantes do Insikiran (Gestão Territorial) são recebidos no Centro de Formação (CIFCRSS) em intercâmbio com plantio de árvores madeireiras

A primeira etapa do “I intercâmbio Gestão Territorial – Insikiran & Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol” ocorreu entre 2 e 4 de maio de 2018, tendo como principalobjetivo a integração entre os estudantes dos dois cursos, trabalhando a Agroecologia como ferramenta para atender novas demandas e desafios relacionados a conservação ambiental e produção nas comunidades indígenas.

O encontro foi muito proveitoso, com muita integração e alegria, iniciando com a abertura pela coordenadora Maria Alcinda Mota os professores do CIFCRSSBleide  e Alcebias Constantino. Em seguida se apresentaram os estudantes das 4 turmas do CIFCRSS, e também os estudantes do curso de Gestão Territorial Indígena (GTI) do Insikiran/UFRRe os professores Rachel Pinho e Luis Felipe Almeida.

Após o almoço foi feita apresentação dhistórico do CIFCRSS com os relatos dos coordenadores e professores, ilustrados por fotos históricas.

Em seguida foram iniciadas as apresentações temáticas, sendo que os estudantes da Gestão Territorial fizeram apresentações sobre “Segurança alimentar” (disciplina que estão cursando no atual semestre), com os temas: alimentos naturais e tradicionais, grau de processamento dos alimentos, nutrientes, transgênicos etc. Depois foi a vez dos estudantes do CIFCRSS apresentarem os temas relacionados aos “Sistemas agroflorestais” trabalhados na disciplina que estão cursando, sendo: nutrientes do solo e importância da matéria orgânica, cobertura do solo e adubação verde, fotossíntese e estratos da vegetação, e apresentação do planejamento prévio do plantio. Com base nessas informações, à noite foi feito o planejamento dos plantios agroflorestais planejados para os próximos dois dias.

No segundo dia todos embarcaram no caminhão com o tuxaua da comunidade Barro e ex-coordenador do CIFCRSS, Anselmo Dionísio. O caminhão seguiu até a comunidade São Jorge no sítio de D. Mariana Mota e S. Alcides Constantino, família parceira do CIFCRSS que ofereceu duas áreas para plantio de espécies madeireiras em parceria com o CIFCRSS: uma capoeira e uma caiçara.

As mudas das espécies mogno (Swietenia macrophylla), cedro (Cedrela fissilis), angelim do cerrado (Vatairea macrocarpa), pau ferro (Caesalpinia ferrea var. Leiostachya), ipê amarelo do cerrado (Tabebuia aurea) e bacaba (Oenocarpus bacaba) foram produzidas e cedidas pelo viveiro de mudas da EEI Inácio Mandulão da comunidade Aningal (Amajari), reforçando a importante parceria entre as duas escolas.

Primeiro foi plantado em uma área de capoeira aberta, onde já foi produzido muito milho e maniva, e o solo ainda está escuro e parece bom para plantar as mudas, então não foi utilizado nem esterco, sendo que o plantio foi muito prático. Em seguida foi iniciado o plantio em uma área de antiga caiçara (curral) onde foi adicionado esterco pois a área era antiga e já havia produzido muitos produtos como pimenta, maniva etcAs árvores eram sempre plantadas de forma intercalada, misturada, em consórcios de forma a imitar o sistema natural, como as florestas. Na caiçara, também foi plantado o feijão guandu na entre-linha das árvores, para servir de cobertura ao solo e adubação verde para as árvores.

No início da tarde foi realizada uma apresentação pelo técnico formado pelo CIFCRSS Romário Bezerra, sobre sustentabilidade em sistemas agroflorestais e a experiência que vem desenvolvendo em três comunidades da Serra da Lua. Com o sol mais fraco, foi dada continuidade ao plantio, dessa vez no próprio CIFCRSS, onde as mesmas espécies foram plantadas em dois locais: no setor da horticultura beirando a cerca, e no setor da antiga agrofloresta. O plantio sempre feito intercalando as diferentes espécies.

A noite do segundo dia foi um momento muito especial, quando dois convidados foram compartilhar sua experiência de vida, a pajé Mariana Tobias e seu esposo Alcides Constantino. Cada um deles passou importantes ensinamentos aos jovens, através de histórias tradicionais sobre respeito à natureza e à terra, inclusive sobre “Insikiran”, que dá nome ao Instituto da UFRR ali presente. Após esse momento, foi a hora de apresentações artísticas, iniciando com danças e cantos tradicionais pelos integrantes do CIFCRSS. Em seguida foi a vez dos estudantes de Gestão apresentarem uma dramatização sobre a importância da alimentação natural, com a peça “O Desespero das frutas”. Logo depois foi apresentada uma dramatização criada pelos estudantes do CIFCRSS, com uma história que mostrou a importância do respeito aos pajés e ao pai da mata quando os homens saem para caçar. A noite foi fechada com um parichara dançado por todos.

terceiro e último dia de intercâmbio iniciou com mais plantios, com a implantação de canteiros demonstrativos de hortas agroflorestais com milho, macaxeira, mamão, abobrinha, maxixe, tomate, cheiro verde, rúcula, couve e chicória. Mais uma vez foi reforçada a importância da matéria orgânica e cobertura do solo, com o plantio de canteiros exclusivamente para a produção de biomassa: feijão guandu e capim mombaça.

No momento de encerramento foi apresentada a sistematização dos plantios, totalizando 151 mudas plantadas, além das espécies agrícolas e hortículas. Todos puderam expressar sua impressão muito positiva sobre esses dias. Após o almoço houve o retorno. Na próxima etapa do intercâmbio os estudantes do CIFCRSS virão para Boa Vista para uma série de atividades no Instituto Insikiran/UFRR. As atividades são realizadas com apoio da UFRR, CIR, Diocese de Roraima e FUNAI.

As fotos dessa atividades estão em https://www.facebook.com/wazakaye/posts/2110466632523509?notif_id=1526395536163555&notif_t=page_post_reaction&ref=notif 

Comunidade Ponta da Serra também já possui viveiro de mudas!

A demanda por mudas de árvores pelas comunidades indígenas cresce cada vez mais, e visando a autonomia nessa produção, a comunidade Ponta da Serra (TI Ponta da Serra, Amajari/RR) inaugurou o seu viveiro de mudas no dia 28 de fevereiro de 2018. A ação foi coordenada pelas lideranças comunitárias, em parceria com a professora Mariana Cunha do Instituto Insikiran/UFRR, que levou duas turmas do curso de Licenciatura Intercultural para uma aula de campo onde uma das atividades foi a construção do viveiro.

A comunidade já havia previamente providenciado todos os materiais necessários para a construção e produção das primeiras mudas, como madeira para estrutura e canteiros, ferramentas, esterco, cinzas, e principalmente as sementes! Em poucas horas o viveiro já estava de pé, e o sombrite para cobrir chegou no dia seguinte. Como o viveiro foi construído em um local onde não entram animais, não foi necessário telar em volta. A comunidade pretende ir ampliando o viveiro aos poucos.

Estudantes de Licenciatura Intercultural na comunidade Ponta da Serra – Amajari, Roraima.

O estudante Heliomar Gomes, que já é Gestor Territorial formado pelo Insikiran, e técnico agrícola pelo CIFCRSS, acessorou as atividades e demonstrou uma técnica de abrir o fruto do pau-rainha para retirar a semente. Os estudantes prosseguiram em atividade no dia seguinte à construção, realizando práticas em ecossistemas aquáticos com a professora Ise Goreth.

A comunidade Ponta da Serra vem em uma sequencia de experiências em viveiros de mudas no município do Amajari nos últimos anos, quando algumas comunidades vem experimentando essa prática.

Mais fotos dessa atividade podem ser acessadas em nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pg/wazakaye/photos/?tab=album&album_id=2074324189471087

Comunidade Aningal segue os trabalhos no viveiro de mudas

Desde o ano de 2012 a comunidade Aningal (TI Aningal), no município de Amajari-RR, vem desenvolvendo experiências de produção e plantio de mudas, que se fortalecerá em 2018. A comunidade já iniciou a semeadura de várias sementes de espécies madeireiras para esse ano, com a meta de produzir 2.500 mudas em 2018!

100

Semeadura de espécies madeireiras no viveiro

Árvores madeireiras plantadas para enriquecimento de capoeira

 

Uma parte das mudas é utilizada em plantios agroflorestais na própria comunidade, como por exemplo o “enriquecimento de capoeira” com espécies madeireiras, quando as mudas de árvores são plantadas junto com as plantas da roça, e vão crescendo junto com a capoeira, podendo em alguns anos fornecer madeira para a comunidade. Uma dessas áreas é uma capoeira comunitária, onde árvores de pau-rainha, angelim do cerrado, mogno e angico que foram plantadas junto à roça em 2013, hoje fazem parte da capoeira, algumas com mais de 7 metros e já produzindo sementes. Nesses anos foi possível observar que na parte mais alta da capoeira o desenvolvimento das plantas foi melhor do que na parte baixa, provavelmente porque na parte alta o solo tem menos areia.

 

Para ver mais fotos, acesse: https://www.facebook.com/pg/wazakaye/photos/?tab=album&album_id=2023213024582204

Construção do viveiro de mudas na comunidade Serra do Sol

Um viveiro de mudas foi construído na comunidade Serra do Sol no contexto do Projeto Ekurauyama através de parceria entre o Conselho do Povo Ingarikó- COPING, Embaixada da Noruega, Instituto Insikiran –UFRR/Programa de extensão Wazaka´ye e Instituto Socioambiental- ISA. A proposta do COPING tem como objetivo de incentivar nos próximos anos o reflorestamento de espécies nativas e ampliar segurança alimentar na região Ingarikó. Essa iniciativa vai de encontro a políticas de valorização da agrobiodiversidade que lideranças Ingarikó já vêm realizando há alguns anos, por exemplo, feiras de sementes e o projeto do centro de agroecologia Nutrir.

O trabalho de construção do viveiro foi acompanhado pelo professor Luís Felipe Almeida e os estudantes Glênio e Amilton Barbosa Andrade, do curso de Gestão Territorial Indígena. Contamos com o apoio da doutoranda do PPGAS do Museu Nacional da UFRJ, Maria Virgínia Ramos Amaral, que realiza pesquisa na região Ingarikó e como forma de retorno, organizou a logística, e doação de mudas para a comunidade Serra do Sol.

O projeto do Viveiro de mudas foi apresentado para a comunidade, alunos da escola e Tuxauas e ressaltada a importância do viveiro de mudas como uma importante ferramenta pedagógica para desenvolvimento de atividades/projetos relacionadas a agricultura e pecuária. Foram realizadas quatro reuniões com a apresentação de vídeos e palestras sobre produção de mudas, compostagem, tipos de viveiros e práticas de plantio, Sistemas agroflorestais e adubação orgânica.

O viveiro foi construído com apoio de toda a comunidade e coberto com tela sombreadora e arame em área plana de 16m x 24m e tem capacidade de pelo menos 20.000 mudas a cada 6 meses. No local escolhido existe abundância de água e estrume para adubação das mudas. Professores e alunos da escola serão os responsáveis pela condução do viveiro e pela distribuição das mudas, que deverão atender a região Ingarikó pelos próximos anos.
100

100

Estudantes de Gestão Territorial Indígena realizam plantio agroflorestal na UFRR

A etapa das aulas presenciais 2017.2 do curso de Gestão Territorial Indígena da UFRR chegou ao fim. Durante esse semestre mais uma turma de estudantes ingressou no quinto semestre do curso, quando os estudantes escolhem uma dentre as quatro “ênfases” do curso: Agroecologia (Atividades Produtivas e Manejo Ambiental), Patrimônio Indígena, Serviços e Infraestrutura, ou Empreendimentos Sociais.

Um grupo de 15 estudantes optou pela ênfase em agroecologia, e já iniciaram as aulas nos temas contextuais específicos, quando a agroecologia foi trabalhada na teoria e na prática. As práticas agrícolas indígenas já utilizam princípios sustentáveis, e a experimentação de outras técnicas agroecológicas pode otimizar esses princípios e adequá-los às demandas específicas das comunidades, promovendo qualidade de vida, soberania alimentar, geração de renda e maior equilíbrio ambiental.

Um dos assuntos mais trabalhados nas aulas teóricas e práticas foi o plantio em forma de agrofloresta, aplicando-se os princípios da sucessão vegetal, ciclagem de nutrientes do solo e adubação verde. Nas práticas os estudantes se dividiram em grupos e implantaram agroflorestas com “canteiros de produção” e “canteiros de biomassa”, que receberam grande diversidade de mudas e sementes de espécies florestais e agrícolas.

Estudantes da turma do quinto semestre e professores de Agroecologia do curso de Gestão Territorial Indígena/Insikiran/UFRR

Trabalho em agroecologia do Insikiran é apresentado no X Congresso Brasileiro de Agroecologia

Entre os dias 12 e 15 de setembro, a cidade de Brasília sediou o X Congresso Brasileiro de Agroecologia, concomitante ao VI Congresso Latino-americano de Agroecologia e ao V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno.

O Congresso Latino-americano de Agroecologia é organizado a cada dois anos pela Sociedade Científica Latina Americana de Agroecologia (SOCLA). Estes congressos explicitam o estado da arte da agroecologia tanto na América Latina como Ibero-América. SOCLA reúne acadêmicos, técnicos, estudantes e agricultores organizados, proporcionando o diálogo e gerando acordos que se difundem através da Carta Agroecológica ao final de cada evento. O Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) é o maior evento de agroecologia em número de participantes e trabalhos técnico-científicos. É promovido pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). Reúne todos os setores da sociedade brasileira que atuam e desenvolvem a agroecologia no país como pesquisadores acadêmicos e populares; extensionistas; gestores de políticas públicas das três esferas; agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e suas organizações; movimentos sociais, ONGs, redes e fóruns de agroecologia, entre outros. Promove uma ampla discussão, com troca de experiências, apresentação de trabalhos científicos e encaminhamentos que contribuem para os direcionamentos estratégicos destes setores.

O evento contou com ampla programação envolvendo palestras, oficinas, feira de produtos agroecológicos, feira de troca de sementes, exposição de filmes e muito mais. Essa edição contou com aproximadamente 5.000 pessoas de todas as regiões do Brasil e também de muitos outros países. O Instituto Insikiran foi representado por dois professores da área de Agroecologia que apresentaram o trabalho: “O desenho do agroecossistema com uso do Google Earth como ferramenta de ensino no Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena – Universidade Federal de Roraima, Brasil”.

Roda de conversa após apresentação de trabalho no congresso

Lançamento da cartilha “Viveiros de mudas” nas comunidades Aningal e Vida Nova

No dia 28 de julho de 2017 foi realizado o lançamento da cartilha “Viveiro de mudas” na comunidade Aningal. A cartilha foi produzida pelas comunidades Aningal e Vida Nova, na Terra Indígena Aningal, como um dos resultados da construção coletiva do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) para a Terra Indígena Aningal, que se localiza no município de Amajari, Roraima. O Plano prevê, dentre outras atividades sustentáveis, a implantação de viveiros de mudas para plantios e geração de renda.

Alguns dos autores da cartilha “Viveiros de mudas” durante o lançamento

Nesse sentido, o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) disponibilizou recursos financeiros para investir em projetos sustentáveis em comunidades vizinhas das unidades de conservação apoiadas pelo Programa. Em Roraima, a Estação Ecológica de Maracá e quatro comunidades do entorno, embasadas em seus PGTAs, foram contempladas com o financiamento de R$ 190.000 do Programa ARPA para apoiar projetos sustentáveis durante dois anos, em parceria com o Conselho Indígena de Roraima – CIR e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA. Nas comunidades Aningal e Vida Nova as atividades desenvolvidas foram a implantação de viveiros de mudas e capacitações.

A comunidade Aningal já tinha experiência prévia com viveiro de mudas e plantios na parceria com a Iniciativa Wazaka’ye – IW, e esse projeto possibilitou a construção de um novo viveiro, maior e com sistema de irrigação. Já a comunidade Vida Nova inicia essa experiência.

Experiência de plantio de espécies madeireiras em roças e capoeiras da comunidade Aningal

A cartilha foi produzida ao final do projeto, por estudantes, professores e demais membros das comunidades. Cada comunidade selecionou os temas que seriam abordados na cartilha, incluindo não só os viveiros de mudas, mas também outras atividades importantes para a gestão territorial e ambiental, como o histórico das comunidades, o reconhecimento e valorização da diversidade local (levantamento e uso de plantas presentes nas comunidades, e a descrição de ações sustentáveis em andamento). Dentre essas ações, se destaca o plantio de espécies madeireiras em roças e capoeiras na comunidade Aningal, e também a definição de uma área comunitária de conservação e manejo na comunidade Vida Nova.

O plantio de espécies madeireiras na comunidade Aningal iniciou em 2013, e hoje essas áreas são capoeiras e as árvores plantadas atingem mais de 5 metros de altura e já produzem sementes. Os agricultores relatam que é importante “zelar” pelas árvores plantadas, retirando de cipós de tempos em tempos, e roçando o mato em volta da árvores.

Já na comunidade Vida Nova escolheu uma área para conservação e manejo, onde ficou combinado que ninguém vai derrubar para botar roça nem tirar madeira, e a caça será apenas pequena. A área escolhida pela comunidade foi a “Ilha da Samaúma” porque ali ainda existem algumas árvores de madeira de lei. Essas árvores podem ser as matrizes onde será feita coleta de sementes.

Experiência da definição de uma área comunitária de conservação em ilha de mata na comunidade Vida Nova.

Para acessar a versão digital da cartilha “Viveiro de mudas” CLIQUE AQUI.

IV Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima

 

A quarta edição da Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima aconteceu entre os dias 15 e 17 de setembro na comunidade Barro, no CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e  Cultura Raposa Serra do Sol. Foram dias de discussão, encontros, e trocas entre os agricultores, professores e estudantes de 6 regiões de Roraima: Serras (comunidades Maturuca e Uiramutan), Surumu (com. São Miguel da Cachoeira e Barro), Wai Wai (Makará e Cobra), Baixo Cotingo (Serrinha), Serra da Lua (Pium e Novo Paraíso), São Marcos (Novo Destino) e Tabaio (Raimundão).

Também houve a presença de indígenas de outros estados e países, como os Pemon da comunidade Kavanayén da Venezuela e os Sateré Mawé do estado do Amazonas, além de convidados do setor de extensão do INPA de Manaus.

Diversidade de saberes tradicionais e técnicos

 

Na noite do dia 14 grande parte dos participantes já havia chegado, e após a janta houve uma recepção e apresentação das comunidades presentes. A abertura oficial aconteceu na manhã do dia 15, com defumação do Maruai pela pajé Mariana. Em seguida as instituições se apresentaram, e após isso foi composta uma mesa muito especial, com a presença de agricultores e agricultoras de todas as comunidades presentes, que puderam compartilhar seus conhecimentos e percepções sobre as sementes e variedades tradicionais. Na parte da tarde foi a vez da discussão sobre legislação e experiências, com a fala das instituições convidadas ISA, CONAB, INPA-Manaus e CIR. A noite desse primeiro dia encerrou com apresentações de trajes típicos e um bingo.

 

O dia 16 iniciou com várias oficinas e os participantes escolheram entre as opções: medicina tradicional, grafismo indígena, arte indígena, trança de darruana, compostagem; mitos, contos e rezas, e enxertia. Todas as oficinas foram conduzidas por indígenas, exceto a oficina de enxertia que foi ministrada pelo professor Luis Felipe do Instituto Insikiran/UFRR.

Oficinas em variados temas

Na parte da tarde houve o momento mais esperado, que foi a exposição e troca de sementes e variedades tradicionais. As comunidades levaram uma grande diversidade de plantas, e também de produtos. Durante toda a tarde houve trocas que certamente contribuirão para aumentar a diversidade nas comunidades, e garantir a multiplicação das variedades tradicionais! A comunidade Maturuca levou um total de 116 variedades de plantas, e foi premiada com uma câmera fotográfica, assim como as comunidades São Miguel da Cachoeira e Pium.

Diversidade, saberes, cultura, tradição e trocas

À noite iniciou com o resgate da memória do ocorrido no CIFCRSS há exatos 11 anos atrás, em 17 de setembro de 2005, quando um

incêndio criminoso destruiu parte da escola numa tentativa de intimidação por parte dos que eram contra a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. As marcas do incêndio ainda permanecem, mas não foram capazes de conter a força do movimento indígena que hoje em sua terra homologada vêm celebrar e fortalecer seus conhecimentos, sua produção e a grande diversidade de suas sementes. O momento seguinte foi de celebração, com apresentações artísticas de todas as regiões, com destaque para a apresentação de teatro do CIFCRSS sobre “A origem das sementes tradicionais”. A noite encerrou com um forrozinho tradicional que não podia faltar!

Na manhã seguinte os indígenas visitantes da Venezuela e Amazonas fizeram uma apresentação sobre suas experiências.

Participantes indígenas Sateré-Mawé (Amazonas) e Pemon (Venezuela)

No momento seguinte foram entregues materiais didáticos aos participantes, através de uma contribuição de várias publicações cedidas pelo ISA – Instituto Socioambiental. Também foi lançada e distribuída a cartilha “Origem das sementes tradicionais”, produzida pelos estudantes do CIFCRSS (disponível em http://wazakaye.com.br/wp-content/uploads/2013/03/CARTILHA_Origem-das-sementes-tradicionais_CIFCRSS_digital.pdf).

O encerramento se deu com um belo parichara!

Apresentação de teatro do CIFCRSS (à direita) e fechamento com Parichara (à esquerda)

As feiras de sementes dos povos indígenas de Roraima são uma realização do Conselho Indígena de Roraima – CIR em parceria com o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Iniciativa Wazaka’ye, com apoio da Funai, ISA, UFRR, sendo essa edição patrocinada pelo Programa de Pequenos Projetos Ecossociais e Terra dos Homens.

Curso de sementes tradicionais antecede a IV Feira de Sementes no CIFCRSS

Os estudantes do primeiro ano do CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol participaram do curso de sementes tradicionais realizado em parceria com o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia entre os dias 5 e 9 de setembro, uma semana antes do início da IV Feira de Sementes dos Povos Indígenas de Roraima. Foram apresentados e discutidos assuntos sobre propagação vegetal, formação de frutos e sementes, ecologia de sementes, coleta e manejo de sementes, sementes transgênicas, dentre outros temas visando fortalecer o conhecimento, a conservação e a multiplicação das sementes tradicionais. Esse curso é financiado pelo PPP-Ecos e será finalizado ainda esse mês, com o fechamento do conteúdo teórico e conclusão dos trabalhos práticos.

Observando as sementes