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Estudo sobre caiçaras mostra os benefícios do esterco bovino aos solos do Lavrado

A estudante de mestrado do INPA Ludmilla Gonçalves está terminando de escrever sua dissertação, em que estudou as “caiçaras” indígenas: áreas de currais temporários para onde o gado é levado a noite por um certo período, acumulando grande quantidade de esterco e enriquecendo o solo, o que possibilita o plantio de várias espécies no Lavrado (especialmente agrícolas e fruteiras). No caso desse estudo, as caiçaras são localizadas em fazendas (também chamadas de “retiros”) da comunidade indígena Aningal (TI Aningal, Amajari): retiros Saúba, Rebolada e Aningal. Nesses locais a comunidade realiza o plantio não dentro, mas ao lado da caiçara, intencionalmente na parte mais baixa do terreno, para onde o esterco escorre ao longo do tempo.

Área de plantio ao lado de caiçara de 3 anos no “Retiro Saúba”, comunidade Aningal

Coleta de solo em área de plantio ao lado da caiçara – Retiro Rebolada

Foram coletadas amostras de solos tanto dentro, quanto na área de plantio ao lado da caiçara, e também em área de Lavrado não influenciada pela caiçara (“testemunha”). Houve grande aumento de macro e micronutrientes, especialmente, cálcio, magnésio, potássio, fósforo, manganês e ferro e redução do alumínio tóxico, pela adição da matéria orgânica. Essas mudanças foram maiores nos solos com maior teor de argila, como o do retiro Saúba, devido a maior capacidade de retenção dos nutrientes nesses solos do que nos solos arenosos, como os dos retiros Rebolada e Aningal.

É importante destacar que existem caiçaras/currais antigos como a Rebolada (entre 7 e 10 anos) e Aningal (entre 14 e 18 anos) e mais novos, como a Saúba (entre 2 e 7 anos), em todos esses casos já houve tempo para o esterco escorrer e beneficiar a área ao lado da caiçara na parte mais baixa do terreno. Em outras comunidades, têm-se experimentado com sucesso também o plantio não ao lado, mas dentro da área de caiçaras recém-instaladas. Nesse caso após o plantio, que é permanente, o gado não mais pode entrar na área, sendo construída uma nova caiçara.

Os currais e caiçaras possibilitam acumular até mais esterco do que o necessário para o plantio naquela área, sendo assim é uma fonte de adubo para outros plantios e hortas da comunidade, bem como para comercialização. Resultados parciais foram apresentados para a comunidade Aningal, e assim que finalizar a dissertação, Ludmilla retornará para apresentar os resultados completos à comunidade, aos parceiros e organizações indígenas envolvidos.

Esterco acumulado na caiçara sendo ensacado para ser transportado e utilizado em outras áreas

 

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