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Plantio de árvores madeireiras na roça

Árvores de pau-rainha (Centrolobium paraense) plantadas há um ano já atingem quase 3 metros

Aproveitando o período das chuvas, a comunidade Aningal (município de Amajari) ampliou o plantio de árvores madeireiras em áreas de roça. Esse ano foram experimentadas novas espécies, como o pau-ferro e o açaí, além do pau-rainha, que já havia sido plantado em outra roça desde o ano passado. As mudas são produzidas pela própria comunidade, no viveiro de mudas conduzido pela escola. Já foram experimentados plantios de árvores em diferentes ambientes, e o plantio na roça tem se mostrado muito bom, pois a roça fica no ambiente de mata, que é mais úmido e tem o solo mais fértil, por isso as árvores tem se desenvolvido muito bem. No plantio realizado há um ano atrás, árvores de pau-rainha, mogno, angico e angelim já atingem quase 3 metros de altura. Enquanto a roça vai produzindo, as árvores vão crescendo, e futuramente farão parte da capoeira, fornecendo frutas e madeiras, fazendo com que a área continue produtiva mesmo depois que deixar de ser “roça”.

Povos indígenas de Roraima realizam terceira edição da Feira de Sementes e Ciências Tradicionais

A defumação tradicional pela pajé Mariana marcou a abertura da III Feira (Foto: arquivo IW)

No feriado entre 1 e 4 de maio de 2014 ocorreu mais uma edição da Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima, esse ano com o lema “A tradição da semente sustenta o povo”. Agricultores, estudantes e professores das etnias Macuxi, Wapixana, Wai Wai e Yanomami se reuniram para trocar sementes e conhecimentos, na terceira edição da Feira realizada no CIFCRSS – Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, comunidade Barro, através de uma iniciativa do CIR – Conselho Indígena de Roraima, em parceria com o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Iniciativa Wazaka’ye e Diocese de Roraima e apoio da FUNAI, UFRR, CIMI, TDH, ISA e CESE.

Além de participantes de 6 terras indígenas de Roraima, também estiveram presentes representantes do povo Waujá do Mato Grosso e Tingui-Botó do Alagoas, representando, respectivamente, a rede de sementes do Xingu e a APOINME (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo).

Houve uma grande diversidade de variedades tradicionais na feira, dentre sementes, manivas, mudas etc – só a comunidade Maturuca trouxe cerca de 100 variedades de várias espécies de plantas, e as comunidade Malacacheta e Mangueira, cerca de 50 variedades cada.

Após a chegada, acolhida e apresentação dos participantes no dia 1, o segundo dia de evento começou com a abertura oficial com defumação de maruai pela pajé Mariana Tobias, apresentação das instituições presentes, e a mesa com convidados indígenas e não-indígenas. Dentre os convidados indígenas, a acadêmica e líder do centro acadêmico do curso em gestão territorial indígena da UFRR, Marizete de Souza lembrou que já anos atrás o CIR realizou o primeiro levantamento de variedades tradicionais da agrobiodiversidade na TI Raposa Serra do Sol; já o coordenador do CIFCRSS Edinho Batista colocou a importância do papel desta escola no processo de conservação dessas variedades; em seguida o membro da Rede de Sementes do Xingu Acari Waujá relatou a experiência de seu povo como integrantes desta rede, que promove trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas no bioma cerrado; e finalizando, Marcos Sabarú e Ricardo Campos enfatizaram a importância das sementes tradicionais no processo de luta pela terra.  Já dentre os convidados não-indígenas, o biólogo Dannyel Sá do Instituto Socioambietal – ISA descreveu o trabalho da Rede de Sementes do Xingu; e a antropóloga Elaine Moreira ilustrou o trabalho do projeto PACTA/CNPq (Populações Agrobiodiversidade e Conhecimentos Tradicionais na Amazônia) com as praticas agrícolas e a agrobiodiversidade de povos indígenas e comunidades tradicionais do Rio Negro/AM, cujo sistema agrícola foi registrado como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Ministério da Cultura.

Na mesa de abertura da III Feira, convidados indígenas e não-indígenas enfatizaram a importância das sementes tradicionais (Foto: arquivo IW).

Na parte da tarde a feira de sementes foi um momento muito especial, com a apresentação de canto ritual pela Sra. Bernaldina José Pedro, apresentação das variedades que cada comunidade trouxe, levantamento da biodiversidade e trocas, dentre muitas sementes, mudas, manivas, das várias regiões e povos presentes na feira.  Como destaque a comunidade Maturuca trouxe 15 variedades de pimenta, 10 variedades de milho, 8 de batata, 4 de arroz, de cará e de algodão, dentre muitas outras. A comunidade Malacacheta trouxe 10 variedades de bananas, 3 de abacaxi e de cana, dentre outras plantas de outras espécies. Já da região do Amajari vieram muitas sementes, além de 13 variedades de manivas. A comunidade São Miguel da Cachoeira trouxe mais de 30 tipos de manivas, já a comunidade Pium apresentou variedades de jerimum, melancia e muitas fruteiras. Os parentes Yanomami e Wai Wai trouxeram a importante diversidade de plantas das terras indígenas localizadas em áreas florestais em Roraima, diferente das outras terras presentes que se localizam no lavrado (savanas).

Alguns momentos da exposição e trocas que ocorreram na feira de sementes (Fotos: Arquivo IW e Júlia Lucia Helena Lauriola)

À noite foi realizada uma mostra de vídeos com várias experiências de resgate, valorização e multiplicação de sementes tradicionais e cultura indígena, em outras regiões do Brasil, além da apresentação do vídeo da edição anterior da feira no CIFCRSS. Entre os vídeos exibidos: O sistema agrícola tradicional do Rio Negro (IPHAN), Sementes da paixão (Articulação Semi-árido paraibano), Sementes do Futuro (Krahô), Sementes tradicionais do povo Huni Kubi (Acre), Rede de Sementes do Xingu (MT).

A Sra. Bernaldina José Pedro fez uma das falas sobre a experiência de luta dos povos indígenas de Roraima (Foto: Arquivo IW)

O terceiro dia começou com a apresentação de experiências escolares relacionadas a sementes, diversidade e práticas tradicionais pelas escolas indígenas Tobias Barreto, Bento Luis, Sizenando Diniz e Jose Alamando, além de estudantes do curso de Gestão Territorial Indígena da UFRR/Instituto Insikiran. Além de fazerem exposições sobre seus trabalhos com cartazes, fotos e relatos, essas experiências também foram colocadas em forma de cartilha preparadas por cada escola. Em seguida foi a vez dos anciãos presentes relatarem suas experiências de luta, vivência e aprendizado com a terra, a natureza e a organização indígena, com a emocionante fala do Tuxaua Manoel (comunidade Barro), Sr. Juvêncio (comunidade São Miguel da Cachoeira), D. Marciliana (comunidade Cumanã), D. Bernaldina (comunidade Maturuca) e D. Sara (comunidade Mangueira). A manhã teve fechamento com a fala do coordenador do CIR, Sr. Mário Nicácio.

Momento de apresentação de experiências escolares (Feira de Ciências) – além da apresentação oral, escolas também prepararam cartilhas (Foto: Arquivo IW)

Uma das oficinas, “Cantos e rezas tradicionais”, trouxe aos indígenas o resgate desse conhecimento (Foto: Arquivo IW)

No período da tarde aconteceram oficinas, uma novidade desta edição da Feira. Conhecedores de variadas práticas tradicionais (tecer algodão, trançar darruana, artesanato com sementes, pinturas em pano e corporal, contação de histórias tradicionais, ensinamentos de cantos e rezas, instrumentos musicais indígenas) e práticas ecológicas (produção de composto orgânico e plantio em agrofloresta) passaram seus ensinamentos aos participantes, que se direcionaram à oficina de seu interesse.

À noite aconteceram apresentações culturais dos vários participantes, com danças e teatro, e foi realizada a entrega de materiais didáticos para todas as escolas presentes, além da divulgação das escolas que terão suas cartilhas publicadas: EEI Bento Luis (comunidade São Miguel da Cachoeira/TI Raposa Serra do Sol) com a cartilha “Variedade de manivas e seus derivados” e grupo da Gestão Territorial Indígena/Instituto Insikiran com a cartilha “Itena’pi Moropai Tîmotînîpîsen Makusi – Sementes e mudas indígenas”. A edição das cartilhas está em processo e em breve serão publicadas e disponibilizadas.

Também foi entregue premiação para a maior diversidade de sementes, sendo que as comunidades Mangueira, Malacacheta e Maturuca receberam livros, e esta última foi contemplada ainda com o desenvolvimento de uma área produtiva sustentável a ser planejada em parceria entre CIFCRSS e comunidade/escola. Para fechar a noite cultural, rolou Parichara até mais de 2 da manhã!

No último dia do evento foi realizada uma visita aos setores de atividades agropecuárias do CIFCRSS, guiada pelos estudantes deste Centro. Após o encerramento, os participantes retornaram às suas comunidades.

A Feira encerrou mas as atividades no CIFCRSS continuaram, para garantir a organização, armazenamento e plantio das sementes, mudas e manivas que chegaram nos últimos dias. As engenheiras florestais Jessica Pedreira (Simbiose Agroflorestal) e Rachel Pinho (INPA) conduziram um curso de agrofloresta que incluiu o plantio das sementes, mudas e manivas que chegaram para a Feira. Muitas variedades foram plantadas nas agroflorestas do CIFCRSS, que são um banco vivo dessa diversidade, e outras sementes foram encaminhadas para o viveiro, ou para as roças comunitárias, de professores ou coordenadores do Centro.

Em curso de agrofloresta, estudantes do CIFCRSS planejam o plantio das diversas variedades trazidas para a feira de sementes, visando a conservação e multiplicação dessas variedades (Foto: Arquivo IW)

 

Lançado regulamento da III Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima

Após 4 reuniões de planejamento no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, foi construído o regulamento da Feira, e também o seu desenho-símbolo. As inscrições para o evento se iniciarão na 41a. Assembléia do CIR no Lago Caracaranã, e vão até o dia 10 de abril.

REGULAMENTO

1. QUEM PODE PARTICIPAR DA FEIRA?

– A Feira é aberta a todo o público indígena e não-indígena que apóia a multiplicação das variedades tradicionais de sementes e o fortalecimento do conhecimento tradicional. Entretanto, apenas o público indígena poderá apresentar trabalhos e concorrer às premiações.

– Os participantes deverão entregar a ficha de inscrição no CIR até o dia 10 de abril.

2. QUEM PODE APRESENTAR TRABALHOS?

Os trabalhos podem ser apresentados:

  1. Em grupos – escola, comunidade, ou escola e comunidade juntas  OU
  2. Individuais – trabalhos realizados por estudantes indígenas individualmente

3. QUAL É O TEMA DOS TRABALHOS?

– Os trabalhos podem ser de qualquer área, desde que incluam experiências de “valorização do conhecimento tradicional”. Preferencialmente os trabalhos devem valorizar o conhecimento que não se encontra em livros, e sim na experiência prática vivida pelos mais antigos nas comunidades.

– OBS – A simples descrição das plantas trazidas para exposição e troca (feira de sementes e mudas) não poderá ser considerado um “trabalho”)

4. COMO SERÁ A APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS?

Os trabalhos devem ser apresentados de duas formas:

Apresentação oral: máximo 15 minutos (opcional: datashow, teatro, vídeo etc)

Apresentação em cartilha: a cartilha já deverá ser levada pronta para a Feira, pode ser feita à mão, e deverá conter textos e ilustrações. Sugerimos 2 ou 3 folhas A4 dobradas ao meio.

A apresentação de cartazes, fotos e outros materiais visuais é opcional

5. COMO SERÃO AVALIADOS OS TRABALHOS?

Os trabalhos (apresentação e cartilha) serão avaliados por um juri com representantes indígenas e de instituições parceiras. Os critérios de avaliação serão:

Apresentação oral 

a) Originalidade/utilidade do projeto

b) Envolvimento entre escola/comunidade/demais grupos

c) Viabilidade de continuar sendo executado autonomamente

Cartilha

d) Conteúdo

f) Qualidade das imagens

6. FEIRA DE SEMENTES/MUDAS

– Haverá mesas para cada grupo expor as sementes/mudas que levar para a feira.

– Estimulamos que sejam trazidas sementes e mudas em diversidade e em quantidade, especialmente das variedades tradicionais de milho, maniva, melancia etc.

– Os participantes poderão trocar livremente as sementes/mudas entre si.

7. PREMIAÇÃO

Haverá dois tipos de premiação:

  1. Para os trabalhos que obtiverem maior pontuação de acordo com os critérios apresentados no item 5 a premiação será: edição e publicação da cartilha apresentada; livros; lembrança da Feira
  2. Para a escola ou comunidade que levar mais sementes/mudas a premiação será: livros; kit de sementes; lembrança da Feira; prêmio surpresa

8. OFICINAS

Conforme previsto na programação, haverá oficinas de 4 horas em variados temas como artesanato, contos, grafismo, instrumentos musicais etc. A inscrição nas oficinas será feita em momento específico que será anunciado durante a feira, respeitando o número máximo de participantes por oficina.

9. TRANSPORTE E INFRA ESTRUTURA

– Contamos com o apoio dos participantes para que tentem articular seus ônibus escolares ou outras formas de transporte para a Feira. Na Feira poderá ser fornecido o combustível de reposição para o transporte.

– Trazer copo, prato e talher

– Será fornecido alojamento e alimentação, entretanto pedimos se possível que tragam contribuições para alimentação como farinha, caxiri, beiju etc.

10. APRESENTAÇÕES CULTURAIS

Todos os participantes são bem vindos para apresentarem danças, músicas e outras manifestações artísticas durante as noites culturais dos dias 2 e 3 de maio.

Informações:

3224-5761 (CIR)

8804-6437

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É NECESSÁRIO PREENCHER AS FICHAS:

FICHA DE INSCRIÇÃO –> Entregar no CIR até 10 de abril (também pode ser entregue diretamente no Centro de Formação CIFCRSS p/ um dos coordenadores)

FICHA DE PARTICIPAÇÃO –> Entregar no momento de chegada na Feira (dia 1 de maio) no CIFCRSS.

Para baixar as fichas, CLIQUE AQUI.

Preparativos para a III Feira de Ciências e Sementes Indígenas de Roraima

Aconteceu mais uma oficina de preparação para a III Feira de Ciências e Sementes no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, que acontecerá no feriado de 01 a 04 de maio de 2014. Durante essa reunião foram discutidos o cronograma e a programação da Feira, além de outros detalhes do planejamento.

Em fevereiro começa a divulgação, e a partir de março estarão abertas as inscrições para a Feira. Podem participar escolas e comunidades indígenas, com a apresentação de trabalhos com o tema: “valorização do conhecimento tradicional”, além da tradicional exposição e troca de sementes e mudas. Em breve será divulgado o regulamento completo. Esse ano haverá também oficinas (mini cursos) de artesanato, mitos, agroecologia etc. A programação prevista segue abaixo:

Dia 01/05 (5a. feira):

À tarde – chegada e acomodação

18:00 – janta

19:30 – acolhida e apresentação das comunidades/escolas presentes

21:00 – recolhimento

Dia 02/05 (6a. feira):

07:00 – café da manhã

08:00 – abertura

08:30 – apresentação das instituições presentes

09:00 – mesa com convidados

12:00 – ALMOÇO

14:00 – feira de sementes e mudas (exposição e trocas)

16:00 – início da apresentação dos trabalhos

18:30 – JANTA

19:30 – noite cultural

Dia 03/05 (sábado):

07:00 – café da manhã

08:00 – continuação da apresentação de trabalhos

11:30 – encaminhamentos

12:00 – ALMOÇO

14:00 – oficinas (mini cursos)

18:00 – JANTA

19:30 – resultado/premiação

20:30 – noite cultural

Dia 04/05 (domingo):

07:00 – café da manhã (damurida)

08:00 – visita aos setores do CIFCRSS

09:00 – encerramento

10:00 – retorno

O regulamento será divulgado em breve.

Estudantes do CIFCRSS estão coletando e armazenando sementes para a feira

Roça agroflorestal na comunidade Guariba, Amajari

A comunidade Guariba na Terra Indígena Araçá, município de Amajari, vem trabalhando desde 2011 com atividades em viveiros e plantios agroflorestais. Uma dessas experiências é a roça da Sra. Janete Rodrigues, onde foram plantadas 15 espécies de árvores madeireiras e fruteiras ao mesmo tempo em que a roça já produzia milho, macaxeira e pimenta. Agora após dois anos de produção de roça, a área será deixada para encapoeirar e se recuperar, com o crescimento das árvores da capoeira junto com as árvores fruteiras e madeireiras que foram plantadas, dentre elas: pau-rainha, copaíba, angico, angelim, moringa etc.

Nesses primeiros anos, é essencial ter certos cuidados com as árvores que foram plantadas, como: limpeza da área (roçar em volta das plantas) e retirar o cipó que costuma subir nas árvores.

A sra. Janete, que é também representante regional do movimento das mulheres indígenas (OMIR), irá abrir uma nova área de roça esse ano, onde novamente plantará árvores em meio às plantas da roça.

Também é importante acompanhar o crescimento das árvores, como tem feito Sidoca Lopes, estudante do curso de Gestão Territorial Indígena do INPA e bolsista PIBIC-Junior do INPA, que está avaliando o crescimento das árvores como parte do seu trabalho de conclusão de curso.

Pau rainha (Centrolobium paraense) plantado na roça há 1 ano e meio, sendo medido (esquerda) e manejado com a retirada de cipós (direita).

III Feira de Ciências e Sementes indígenas acontecerá em maio de 2014

Já iniciaram os preparativos para a III Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima.  A Feira ocorrerá no feriado de 01 a 04 de maio de 2014, com o lema “A tradição da semente sustenta o povo”. O Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol – CIFCRSS já começa a se preparar para mais essa edição da Feira, que dessa vez contará com um dia a mais de atividades, e novidades como mini cursos.

As escolas e comunidades já podem começar a guardar suas sementes e se programar para a III Feira. A divulgação do regulamento e inscrições ocorrerão no início do próximo ano, e todos os povos indígenas de Roraima estão convidados. Além de estudantes e professores, serão muito bem vindos os agricultores/as e pessoas mais experientes das comunidades, pois são os que possuem o importante conhecimento que possibilitou a criação, manutenção, e multiplicação da ampla variedade de sementes tradicionais.

Preparativos para produção de mudas em comunidades do Amajari

As comunidades indígenas Guariba (TI Araçá) e Aningal (TI Aningal), ambas no município Amajari-RR, já iniciaram atividades em seus viveiros para produção de mudas a serem plantadas no inverno de 2014. Na comunidade Guariba, agricultores estão reformando o viveiro e iniciarão coletas de sementes, especialmente do pau-rainha (Centrolobium paraense) que começa essa época a cair na mata. O esterco para uso no viveiro foi proveniente do retiro Paraíso, uma das fazendas de gado da comunidade.

Atividades no viveiro da EEI Inácio Mandulão – comunidade Aningal

Na comunidade Aningal, o esterco para produção das próximas mudas também já foi providenciado nos retiros Santa Rosa e em uma fazenda vizinha. O viveiro na Escola Estadual Indígena Inácio Mandulão será ampliado para a produção de mais mudas de espécies madeiráveis e fruteiras. Para isso já começou a coleta de pau-rainha e outras sementes para a próxima safra de mudas.

Árvores madeireiras e fruteiras plantadas no maracujazal

A agrofloresta implantada esse ano junto com o maracujazal da escola também está sendo manejada, com adubação com esterco e pó de rocha, e muita palha ao redor das plantas para “aguentar” o forte calor e seca do verão dos próximos meses. O manejo do maracujá contou com a colaboração do Sr. Sebastião, que veio da comunidade Guariba para conhecer as experiências no Aningal, e compartilhou seu conhecimento sobre poda e produção do maracujá. Além de todas as atividades práticas, o tema agroflorestal foi abordado em uma apresentação pela prof. Rachel.

Em 2014 os plantios agroflorestais serão ampliados nessas comunidades, inserindo árvores madeireiras, frutíferas e medicinais junto com espécies agrícolas em roças e outros locais, como caiçaras.

Cooperação entre comunidades – Sr. Sebastião, da comunidade Guariba, compartilhando seu conhecimento sobre manejo do maracujá com estudantes da comunidade Aningal

Estudo sobre caiçaras mostra os benefícios do esterco bovino aos solos do Lavrado

A estudante de mestrado do INPA Ludmilla Gonçalves está terminando de escrever sua dissertação, em que estudou as “caiçaras” indígenas: áreas de currais temporários para onde o gado é levado a noite por um certo período, acumulando grande quantidade de esterco e enriquecendo o solo, o que possibilita o plantio de várias espécies no Lavrado (especialmente agrícolas e fruteiras). No caso desse estudo, as caiçaras são localizadas em fazendas (também chamadas de “retiros”) da comunidade indígena Aningal (TI Aningal, Amajari): retiros Saúba, Rebolada e Aningal. Nesses locais a comunidade realiza o plantio não dentro, mas ao lado da caiçara, intencionalmente na parte mais baixa do terreno, para onde o esterco escorre ao longo do tempo.

Área de plantio ao lado de caiçara de 3 anos no “Retiro Saúba”, comunidade Aningal

Coleta de solo em área de plantio ao lado da caiçara – Retiro Rebolada

Foram coletadas amostras de solos tanto dentro, quanto na área de plantio ao lado da caiçara, e também em área de Lavrado não influenciada pela caiçara (“testemunha”). Houve grande aumento de macro e micronutrientes, especialmente, cálcio, magnésio, potássio, fósforo, manganês e ferro e redução do alumínio tóxico, pela adição da matéria orgânica. Essas mudanças foram maiores nos solos com maior teor de argila, como o do retiro Saúba, devido a maior capacidade de retenção dos nutrientes nesses solos do que nos solos arenosos, como os dos retiros Rebolada e Aningal.

É importante destacar que existem caiçaras/currais antigos como a Rebolada (entre 7 e 10 anos) e Aningal (entre 14 e 18 anos) e mais novos, como a Saúba (entre 2 e 7 anos), em todos esses casos já houve tempo para o esterco escorrer e beneficiar a área ao lado da caiçara na parte mais baixa do terreno. Em outras comunidades, têm-se experimentado com sucesso também o plantio não ao lado, mas dentro da área de caiçaras recém-instaladas. Nesse caso após o plantio, que é permanente, o gado não mais pode entrar na área, sendo construída uma nova caiçara.

Os currais e caiçaras possibilitam acumular até mais esterco do que o necessário para o plantio naquela área, sendo assim é uma fonte de adubo para outros plantios e hortas da comunidade, bem como para comercialização. Resultados parciais foram apresentados para a comunidade Aningal, e assim que finalizar a dissertação, Ludmilla retornará para apresentar os resultados completos à comunidade, aos parceiros e organizações indígenas envolvidos.

Esterco acumulado na caiçara sendo ensacado para ser transportado e utilizado em outras áreas

 

Trabalho sobre Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima apresentado em evento internacional

Mais de 2.000 pessoas, entre pesquisadores, estudantes e agricultores participaram do III Encontro Internacional de Agroecologia realizado em Botucatu, de 31 de julho a 03 de agosto de 2013, com o tema “Redes para a transição agroecológica na América Latina”.

O evento foi realizado pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) e Instituto Giramundo Mutuando. A extensa programação teve palestras, debates, mais de quarenta oficinas, apresentações artísticas e a Feira de Saberes e Sabores com divulgação de políticas públicas de apoio e incentivo à agricultura familiar, venda de alimentos provenientes da agricultura familiar e orgânica, distribuição de mudas e praça de alimentação. Cerca de 320 trabalhos foram apresentados na forma de pôster, entre eles o trabalho “Feiras de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima”, com autoria de integrantes da IW  e do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol – CIFCRSS. Para saber mais sobre as Feira de Ciências e Sementes: wazakaye.com.br/?p=476

Árvores para sombra no Insikiran

 

 

Aproveitando o final da estação chuvosa em Roraima, foram plantadas várias mudas de espécies arbóreas no estacionamento do Instituto Insikiran-UFRR. Foram escolhidas mudas de espécies fruteiras e madeireiras produtoras de sombra, produzidas no viveiro do Insikiran. Em um futuro próximo essas árvores produzirão sombra para os carros, além de também fornecerem sementes para plantios. Essa atividade foi realizada por acadêmicas e professores do curso de Gestão Territorial Indígena do Insikiran.