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Roça agroflorestal na comunidade Guariba, Amajari

A comunidade Guariba na Terra Indígena Araçá, município de Amajari, vem trabalhando desde 2011 com atividades em viveiros e plantios agroflorestais. Uma dessas experiências é a roça da Sra. Janete Rodrigues, onde foram plantadas 15 espécies de árvores madeireiras e fruteiras ao mesmo tempo em que a roça já produzia milho, macaxeira e pimenta. Agora após dois anos de produção de roça, a área será deixada para encapoeirar e se recuperar, com o crescimento das árvores da capoeira junto com as árvores fruteiras e madeireiras que foram plantadas, dentre elas: pau-rainha, copaíba, angico, angelim, moringa etc.

Nesses primeiros anos, é essencial ter certos cuidados com as árvores que foram plantadas, como: limpeza da área (roçar em volta das plantas) e retirar o cipó que costuma subir nas árvores.

A sra. Janete, que é também representante regional do movimento das mulheres indígenas (OMIR), irá abrir uma nova área de roça esse ano, onde novamente plantará árvores em meio às plantas da roça.

Também é importante acompanhar o crescimento das árvores, como tem feito Sidoca Lopes, estudante do curso de Gestão Territorial Indígena do INPA e bolsista PIBIC-Junior do INPA, que está avaliando o crescimento das árvores como parte do seu trabalho de conclusão de curso.

Pau rainha (Centrolobium paraense) plantado na roça há 1 ano e meio, sendo medido (esquerda) e manejado com a retirada de cipós (direita).

III Feira de Ciências e Sementes indígenas acontecerá em maio de 2014

Já iniciaram os preparativos para a III Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima.  A Feira ocorrerá no feriado de 01 a 04 de maio de 2014, com o lema “A tradição da semente sustenta o povo”. O Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol – CIFCRSS já começa a se preparar para mais essa edição da Feira, que dessa vez contará com um dia a mais de atividades, e novidades como mini cursos.

As escolas e comunidades já podem começar a guardar suas sementes e se programar para a III Feira. A divulgação do regulamento e inscrições ocorrerão no início do próximo ano, e todos os povos indígenas de Roraima estão convidados. Além de estudantes e professores, serão muito bem vindos os agricultores/as e pessoas mais experientes das comunidades, pois são os que possuem o importante conhecimento que possibilitou a criação, manutenção, e multiplicação da ampla variedade de sementes tradicionais.

Preparativos para produção de mudas em comunidades do Amajari

As comunidades indígenas Guariba (TI Araçá) e Aningal (TI Aningal), ambas no município Amajari-RR, já iniciaram atividades em seus viveiros para produção de mudas a serem plantadas no inverno de 2014. Na comunidade Guariba, agricultores estão reformando o viveiro e iniciarão coletas de sementes, especialmente do pau-rainha (Centrolobium paraense) que começa essa época a cair na mata. O esterco para uso no viveiro foi proveniente do retiro Paraíso, uma das fazendas de gado da comunidade.

Atividades no viveiro da EEI Inácio Mandulão – comunidade Aningal

Na comunidade Aningal, o esterco para produção das próximas mudas também já foi providenciado nos retiros Santa Rosa e em uma fazenda vizinha. O viveiro na Escola Estadual Indígena Inácio Mandulão será ampliado para a produção de mais mudas de espécies madeiráveis e fruteiras. Para isso já começou a coleta de pau-rainha e outras sementes para a próxima safra de mudas.

Árvores madeireiras e fruteiras plantadas no maracujazal

A agrofloresta implantada esse ano junto com o maracujazal da escola também está sendo manejada, com adubação com esterco e pó de rocha, e muita palha ao redor das plantas para “aguentar” o forte calor e seca do verão dos próximos meses. O manejo do maracujá contou com a colaboração do Sr. Sebastião, que veio da comunidade Guariba para conhecer as experiências no Aningal, e compartilhou seu conhecimento sobre poda e produção do maracujá. Além de todas as atividades práticas, o tema agroflorestal foi abordado em uma apresentação pela prof. Rachel.

Em 2014 os plantios agroflorestais serão ampliados nessas comunidades, inserindo árvores madeireiras, frutíferas e medicinais junto com espécies agrícolas em roças e outros locais, como caiçaras.

Cooperação entre comunidades – Sr. Sebastião, da comunidade Guariba, compartilhando seu conhecimento sobre manejo do maracujá com estudantes da comunidade Aningal

Estudo sobre caiçaras mostra os benefícios do esterco bovino aos solos do Lavrado

A estudante de mestrado do INPA Ludmilla Gonçalves está terminando de escrever sua dissertação, em que estudou as “caiçaras” indígenas: áreas de currais temporários para onde o gado é levado a noite por um certo período, acumulando grande quantidade de esterco e enriquecendo o solo, o que possibilita o plantio de várias espécies no Lavrado (especialmente agrícolas e fruteiras). No caso desse estudo, as caiçaras são localizadas em fazendas (também chamadas de “retiros”) da comunidade indígena Aningal (TI Aningal, Amajari): retiros Saúba, Rebolada e Aningal. Nesses locais a comunidade realiza o plantio não dentro, mas ao lado da caiçara, intencionalmente na parte mais baixa do terreno, para onde o esterco escorre ao longo do tempo.

Área de plantio ao lado de caiçara de 3 anos no “Retiro Saúba”, comunidade Aningal

Coleta de solo em área de plantio ao lado da caiçara – Retiro Rebolada

Foram coletadas amostras de solos tanto dentro, quanto na área de plantio ao lado da caiçara, e também em área de Lavrado não influenciada pela caiçara (“testemunha”). Houve grande aumento de macro e micronutrientes, especialmente, cálcio, magnésio, potássio, fósforo, manganês e ferro e redução do alumínio tóxico, pela adição da matéria orgânica. Essas mudanças foram maiores nos solos com maior teor de argila, como o do retiro Saúba, devido a maior capacidade de retenção dos nutrientes nesses solos do que nos solos arenosos, como os dos retiros Rebolada e Aningal.

É importante destacar que existem caiçaras/currais antigos como a Rebolada (entre 7 e 10 anos) e Aningal (entre 14 e 18 anos) e mais novos, como a Saúba (entre 2 e 7 anos), em todos esses casos já houve tempo para o esterco escorrer e beneficiar a área ao lado da caiçara na parte mais baixa do terreno. Em outras comunidades, têm-se experimentado com sucesso também o plantio não ao lado, mas dentro da área de caiçaras recém-instaladas. Nesse caso após o plantio, que é permanente, o gado não mais pode entrar na área, sendo construída uma nova caiçara.

Os currais e caiçaras possibilitam acumular até mais esterco do que o necessário para o plantio naquela área, sendo assim é uma fonte de adubo para outros plantios e hortas da comunidade, bem como para comercialização. Resultados parciais foram apresentados para a comunidade Aningal, e assim que finalizar a dissertação, Ludmilla retornará para apresentar os resultados completos à comunidade, aos parceiros e organizações indígenas envolvidos.

Esterco acumulado na caiçara sendo ensacado para ser transportado e utilizado em outras áreas

 

Trabalho sobre Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima apresentado em evento internacional

Mais de 2.000 pessoas, entre pesquisadores, estudantes e agricultores participaram do III Encontro Internacional de Agroecologia realizado em Botucatu, de 31 de julho a 03 de agosto de 2013, com o tema “Redes para a transição agroecológica na América Latina”.

O evento foi realizado pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) e Instituto Giramundo Mutuando. A extensa programação teve palestras, debates, mais de quarenta oficinas, apresentações artísticas e a Feira de Saberes e Sabores com divulgação de políticas públicas de apoio e incentivo à agricultura familiar, venda de alimentos provenientes da agricultura familiar e orgânica, distribuição de mudas e praça de alimentação. Cerca de 320 trabalhos foram apresentados na forma de pôster, entre eles o trabalho “Feiras de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima”, com autoria de integrantes da IW  e do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol – CIFCRSS. Para saber mais sobre as Feira de Ciências e Sementes: wazakaye.com.br/?p=476

Árvores para sombra no Insikiran

 

 

Aproveitando o final da estação chuvosa em Roraima, foram plantadas várias mudas de espécies arbóreas no estacionamento do Instituto Insikiran-UFRR. Foram escolhidas mudas de espécies fruteiras e madeireiras produtoras de sombra, produzidas no viveiro do Insikiran. Em um futuro próximo essas árvores produzirão sombra para os carros, além de também fornecerem sementes para plantios. Essa atividade foi realizada por acadêmicas e professores do curso de Gestão Territorial Indígena do Insikiran.

 

Bolsista PIBIC apresenta trabalho em Manaus

Apresentação no II CONIC – Congresso de Iniciação Científica do INPA

A estudante Sidoca Paulo Lopes, do curso de Gestão Territorial Indígena da UFRR, é bolsista de Iniciação Científica/CNPq da IW e realiza um trabalho em parceria com o Instituto Insikiran, no espaço agroecológico que se localiza na área externa do Instituto. As atividades nesse espaço se iniciaram em 2012 através de aulas práticas com a turma de acadêmicos de Gestão Territorial Indígena na ênfase Agroecologia, com construção de canteiros de plantas medicinais, plantas frutíferas e jardinagens, e em seguida foram iniciadas atividades no viveiro de mudas. Desde o início de 2013 a bolsista Sidoca vem coordenando os trabalhos nesse espaço, com a coleta e aquisição de sementes, produção de mudas, controle de entradas e saídas de plantas no viveiro, plantios no Insikiran e em comunidades indígenas, troca de sementes tradicionais, cultivo e multiplicação de plantas medicinais. Os resultados desse trabalho foram apresentados no II CONIC – Congresso de Iniciação Científica do INPA que ocorreu de 15 a 19 de julho de 2013 em Manaus. O trabalho “Espaço agroecológico do Instituto Insikiran: semeando e multiplicando vidas” mostrou que nos cinco meses de trabalho, foram semeadas plantas de 43 diferentes espécies, sendo que a maior parte das sementes foi proveniente de Boa Vista (60,5%). Conforme era um dos objetivos iniciais do viveiro, a maior parte (76,6%) das 269 mudas produzidas foi destinada a plantios em comunidades indígenas, alguns deles sendo realizados em parceria com a IW e também conduzidos por acadêmicos do curso de Gestão Territorial Indígena. No momento o viveiro ainda dispõe de uma grande quantidade de mudas prontas para plantio.

II Feira de Ciências e Sementes Tradicionais dos Povos Indígenas de Roraima

Exposição de sementes e trabalhos da escola da comunidade Guariba (foto: Aldenir Wapixana)

Entre os dias 17 e 19 de junho aconteceu a II Feira de Ciências e Sementes Tradicionais dos Povos Indígenas de Roraima, realizada no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), na comunidade Barro. O evento foi resultado de uma parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR), Iniciativa Wazaka’ye – IW/INPA, Instituto Insikiran/UFRR, com apoio da FUNAI, Terres des Hommes/Suisse, CNPq, Diocese de Roraima e Instituto Socioambiental. Os quase 400 participantes do evento eram representantes de comunidades de cinco etnorregiões e 16 escolas indígenas de Roraima, bem como povos Guarani, Kaiowá e Terena do Mato Grosso do Sul, que participaram do evento através de uma visita à Roraima promovida pelo projeto GATI – Gestão Ambiental e Territorial Indígena (Funai/PNUD).

O evento contou com a apresentação de 9 trabalhos escolares sobre sementes e diversas exposições de sementes e mudas, além de danças e cantos tradicionais. Os trabalhos escolares foram apresentados também através de cartilhas, e duas delas foram selecionadas para serem editadas e publicadas pela IW. Em breve essas cartilhas serão disponibilizadas para escolas e comunidades indígenas, e espera-se que sejam ferramentas de educação ambiental, provocando também o diálogo sobre a adequação de materiais didáticos à realidade local.

Apresentação de trabalho da Escola Estadual Indígena (EEI) Bento Luis, comunidade São Miguel da Cachoeira. (foto: Aldenir Wapixana)

Plantio agroflorestal de banco vivo de variedades indígenas (foto: Aldenir Wapixana)

 

As atividades da feira foram encerradas com a elaboração de uma carta de apoio aos povos do Mato Grosso do Sul presentes na Feira, bem como uma visita aos setores de produção do CIFCRSS e com um plantio agroflorestal de mudas e sementes trazidas pelas comunidades, em uma área que servirá como “banco vivo” de variedades e espécies indígenas. Nessa área foram plantadas mais de 20 variedades de manivas, consorciadas com mudas de árvores e de frutas, mudas de tomate e berinjela, e com feijões usados como adubação verde e milho. A ideia é multiplicar essas variedades e poder compartilhá-las com as comunidades indígenas, fortalecendo o uso e manejo dos recursos tradicionais e a segurança alimentar das comunidades.

Essa é a terceira agrofloresta implantada no CIFCRSS, sendo manejada pelos estudantes por meio de práticas de manejo ecológico como capina seletiva, cobertura vegetal, adubação orgânica, podas e outras.

Algumas das variedades de maniva (macaxeira e mandioca) trazidas para a Feira (foto: Aldenir Wapixana)

Roça de pimenta com árvores fruteiras e madeireiras – comunidade Guariba, Amajari

Plantio de árvores em roça de pimentas

 

Desde 2012 a sra. Janete Coelho Rodrigues e grupo MulheresMil conduzem um projeto de plantio e beneficiamento de pimentas na comunidade Guariba. As pimentas são plantadas em uma roça, onde desde 2012 vem se experimentando plantar espécies frutíferas e madeireiras neste local, e no último dia 11 foi feita mais uma ação de plantio, com apoio de estudantes do curso Gestão Territorial Indígena/UFRR. Atualmente há cerca de 50 árvores, como pau-rainha, andiroba, angico, mogno, angelim, graviola, nim, carambola, caju, pitomba dentre outras. Enquanto a roça vai produzindo, as árvores irão crescendo, e futuramente quando o local se tornar capoeira, serão essas árvores que farão parte da capoeira, fornecendo frutas e madeiras, fazendo com que a área continue produtiva mesmo depois que deixar de ser “roça”.

Uma roça diferente na comunidade Campinarana (Serra da lua)

Essa experiência é iniciativa de três estudantes do curso Gestão Territorial Indígena/Insikiran/UFRR

 

A comunidade Campinarana (TI Tabalascada) preparou uma área de capoeira para plantar uma roça onde serão experimentadas algumas práticas agroecológicas. A área foi derrubada manualmente sem o uso do fogo, mantendo de pé árvores úteis, e desde o início do ano a área vem sendo preparada com a adição de materiais orgânicos. No dia 31 de maio foi realizado o plantio das espécies agrícolas (macaxeira, milho e jerimum) e, entre elas, plantou-se mudas de árvores fruteiras e madeireiras, cedidas pelo viveiro do Instituto Insikiran/UFRR. No mesmo local foram plantadas hortaliças e foi feito um canteiro medicinal. Ao longo de toda a área, plantou-se o feijão-guandu e feijão de porco, para adubação verde.

Esse trabalho é conduzido por três acadêmicas do curso de Gestão Territorial Indígena no Insikiran e por professores da ênfase Agroecologia desse curso, em parceria da comunidade com IW e Insikiran. As acadêmicas realizarão o manejo e acompanhamento do plantio, bem como a avaliação que irá comparar os diferentes insumos orgânicos utilizados na área.